As principais fontes de evidências da mudança climática global são o aumento da temperatura na Atmosfera, o aumento do nível do mar e a diminuição do tamanho das geleiras e das calotas de gelo da Terra.

Aumentos de temperatura

Estudos climáticos focados nos séculos mais recentes evidenciaram uma tendência de aquecimento na superfície da Terra. Entre os anos de 1880 e 2012, a temperatura média da superfície da Terra aumentou 0,85° C (1,53° F), conforme mostrado na Figura 7. Além disso, essa tendência de aquecimento vem se acelerando ao longo do tempo. Por exemplo, a taxa de aquecimento ao longo dos 50 anos entre 1956 e 2005 é de 0,128° C por década – quase o dobro da taxa de aumento de 0,074° C por década nos 100 anos entre 1906 e 2005. Esse aumento na temperatura da superfície média da Terra é o que chamamos de aquecimento global.

annual observed temperature graph
Figura 7: Temperaturas globais médias anuais observadas (pontos pretos) juntamente com ajustes simples dos dados. O eixo da esquerda mostra anomalias relativas à média de 1961 a 1990 e o eixo da direita mostra a temperatura real estimada (°C). A tendência linear se ajusta aos últimos 25 (amarelo), 50 (laranja), 100 (roxo) e 150 anos (vermelho). Observe que para períodos recentes mais curtos a inclinação é maior, indicando aquecimento acelerado.1
O aumento da temperatura global é maior em latitudes mais altas ao norte, como mostrado pelo sombreamento vermelho-alaranjado na Figura 8. Isso se deve a várias causas, incluindo o maior efeito tampão dos oceanos maiores e mais extensos nas latitudes mais ao sul e a maior incidência de respostas positivas em latitudes ao norte.
Figura 8: Anomalias de temperatura global para 2000 a 2009. As anomalias de temperatura não mostram a temperatura absoluta, mas sim o quanto uma região mais quente ou mais fria é comparada ao padrão daquela região de 1951 a 1980. As temperaturas globais de 2000 a 2009 foram em média cerca de 0,6° C acima dos níveis de 1951 a 1980. O Ártico, no entanto, era cerca de 2° C mais quente.2

Uma dessas respostas é chamada de “Amplificação Ártica”. Esse fenômeno ocorre porque temperaturas mais altas fazem com que a neve derreta nas regiões ao norte. A perda da cobertura de neve na superfície da Terra devido ao derretimento muda a cor do Ártico, de branco para escuro, o que diminui o albedo da Terra – o reflexo da energia solar emitido pela superfície da Terra de volta ao espaço sideral. Como resultado, mais luz solar é absorvida na superfície do planeta, o que causa mais aquecimento da terra e do ar em regiões polares e montanhosas. O retorno positivo causa uma amplificação do aquecimento polar. As pessoas que vivem nos países ao norte, como os pastores mongóis do estudo de caso do início do capítulo, atualmente tentam lidar com os resultados da Amplificação Ártica.

Figura 9. Alterações na média global do nível do mar desde 1880. Os dados dos indicadores de maré costeira e observações de altímetro de satélite foram combinados para fornecer a linha azul (médias) e a área azul sombreada (representando a variabilidade). Mudanças desde 1993 a partir dos dados do altímetro via satélite estão em vermelho.3

Elevação do nível do mar

Olhando adiante

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Na seção Mudanças Climáticas e Ação Global você aprenderá o que os ilhéus de Kiribati estão fazendo para se preparar para o dia em que sua nação ficará submersa pelo aumento no nível do mar.

O aumento do nível do mar é outra fonte de evidência empírica da mudança climática que é consistente com o aquecimento global. No último século, a média global do nível do mar subiu 1,7 milímetros (0,067 polegadas) por ano.

Desde a década de 1990, o índice de elevação do nível do mar aumentou para 3,1 milímetros (mm) por ano (Figura 9). Este aumento foi causado por dois fatores: 1) expansão térmica dos oceanos à medida que a água se torna mais quente, e 2) adição de água do derretimento do gelo terrestre, incluindo geleiras e calotas polares. Os dois fatores estão ligados ao aquecimento global.

Encolhimento das calotas polares

A diminuição de geleiras e calotas polares são a terceira linha de evidência da mudança climática. Dados recentes de satélite mostram que a cada ano a área do gelo marinho do Ártico vem diminuindo, com maiores quedas observadas no verão no hemisfério norte (Figura 10).

Figura 10. Diminuição da calota polar ártica de 1980 (esquerda) a 2012 (direita). A massa central branca brilhante mostra o gelo marinho perene, enquanto a área azul-clara maior mostra a extensão total do gelo marinho do inverno, incluindo a média anual de gelo marinho durante os meses de novembro, dezembro e janeiro.4
O índice médio de perda de gelo do Ártico desde 2000 é cerca de quatro vezes maior do que o índice observado na década de 1990 (Figura 11). A perda de gelo no Ártico é causada pelo aquecimento da água do oceano, que tornou as mantas de gelo instáveis. Por exemplo, o Glaciar Thwaites, que mantém consistente a enorme massa de gelo da Antártida Ocidental, começou a se derreter e desmoronar.
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Figura 11. Diminuição da extensão do gelo no verão do Ártico desde 1900. 5

Olhando adiante

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Mais adiante neste capítulo você aprenderá sobre a estreita relação entre clima, cultura e espiritualidade – e os efeitos devastadores que a mudança climática pode ter nas tradições espirituais de uma cultura.

O desmoronamento desta geleira é irreversível e produzirá um enorme colapso com efeito dominó em outras estruturas de gelo. Espera-se que o colapso das geleiras de Thwaites seja total dentro dos próximos 200 anos.6 Isso inevitavelmente resultará no colapso total de toda a camada de gelo da Antártida Ocidental, o que acelerará ainda mais a elevação do nível do mar.

As geleiras e a cobertura de neve também diminuíram no Hemisfério Norte desde meados do século XX. Por exemplo, a Geleira Noroeste no Alasca diminuiu drasticamente durante esse período. Além disso, tanto a espessura quanto a extensão do gelo permanente do subsolo sofreram reduções consideráveis na tundra do norte do Alasca e do norte europeu russo desde a década de 1970.

Pessoas Inspiradoras

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James Balog é um fotógrafo americano que arriscou sua vida para explorar o impacto da mudança climática nas geleiras do mundo. Em 2007, ele iniciou o Extreme Ice Survey, (Levantamento Extremo do Gelo), o mais extenso estudo fotográfico das geleiras em declínio já realizado. Seu premiado filme de 2012 Chasing Ice conta a história de sua fotografia de aventura nas coberturas de gelo do mundo. Saiba mais sobre esse trabalho no TedTalk.

Pergelissolo é qualquer solo ou rocha que permaneça congelado – abaixo de 0° C ou 32° F – durante a grande maioria do ano, e se descongela somente na superfície durante um curto período de crescimento. Para um solo ser considerado pergelissolo, ele deve estar congelado por dois anos consecutivos ou mais. O pergelissolo pode ser encontrado em climas frios, onde a temperatura média anual é inferior ao ponto de congelamento da água. Esses climas são encontrados próximos aos polos norte e sul. No hemisfério norte, elas ocorrem até 50° N ao longo da maior parte da Sibéria, norte da Europa, Mongólia, Alasca, partes do Canadá e em regiões alpinas, incluindo os Himalaias.

As tundras são “terras úmidas” do norte, cujos solos orgânicos ricos em carbono são permanentemente congelados. O degelo do pergelissolo causado pelas alterações do clima acelera ainda mais a mudança climática, pois o degelo desses solos de alto conteúdo orgânico resulta na ocorrência de decomposição anaeróbica. A decomposição anaeróbica libera metano, um GEE que é 20 vezes mais potente na captura de calor do que o dióxido de carbono. A liberação de metano resultante do derretimento do pergelissolo tem uma resposta positiva porque o metano aumenta ainda mais o aquecimento na Atmosfera, resultando em um maior derretimento da tundra. O degelo do pergelissolo e a subsequente liberação de metano é outro componente da Amplificação Ártica.

Questões a considerar

Imagine que você é um guia Sherba que ganha a vida levando alpinistas ao topo do Monte Everest. Você acha que a diminuição da neve e do gelo no Monte Everest tornará seu trabalho mais fácil ou mais difícil? Use esta recente discussão entre os guias Sherba como base para ter ideias.